Prof. B. Boris Vargaftig recebe honraria de associação internacional que reúne grandes centros de pesquisa sobre inflamação

Carlos Chagas, Cesar Lattes, Jorge Amado, Zilda Arns. Diversos cientistas e artistas brasileiros fizeram um trabalho de projeção internacional e Bernardo Boris Vargaftig, professor sênior do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, é um deles.

No dia 12 de julho, em Londres, Vargaftig recebeu o Life Achievement Award da International Association of Inflammation Societies (IASI), associação que reúne grandes centros internacionais de pesquisa sobre inflamação.

Nos anos 1970, Vargaftig descobriu que a síntese de prostaglandinas é bloqueada pela ação de anti-inflamatórios, como a aspirina. As prostaglandinas são lipídios que, dentre outras funções, aumentam a permeabilidade vascular, induzindo e aumentando uma inflamação. Fazem parte dos chamados mediadores de inflamação.

Utilizando um procedimento semelhante ao do biólogo francês Camille Delezenne — que atuou no Instituto Pasteur no início do século 20, assim como Vargaftig o faria mais tarde —, o brasileiro misturou peçonhas com fosfolipídios e observou a toxicidade dessa mistura. O efeito tóxico, por sua vez, foi suprimido por agentes anti-inflamatórios, cujo protótipo é a aspirina.

Com essa descoberta, uma série de experiências concluiu que os medicamentos anti-inflamatórios suprimem a bioformação das prostaglandinas.

Em carta, o farmacêutico britânico John Vane, que estava pesquisando o mesmo assunto, o parabenizou pela descoberta e reconheceu seu pioneirismo. No entanto, por participar de um laboratório maior do que o de Vargaftig, Vane publicou o trabalho primeiro e, em 1982, foi agraciado com o Nobel de Medicina por seu estudo.

Em seu discurso de agradecimento ao Life Achievement Award, o cientista brasileiro demonstrou à plateia como seu estudo havia sido efetuado antes da pesquisa de Vane, mostrando inclusive a carta enviada pelo cientista inglês.

Mais Informações: http://jornal.usp.br/universidade/cientista-premiado-da-usp-e-autor-de-estudo-que-precedeu-nobel/